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Você se foi e deixou um vazio enorme. Embrulhou meu coração em meio à suas malas e não foi barrado no aeroporto. Ei, tráfico de órgãos deveria ser proibido! Mas tudo bem, me disseram que o tempo curava todas as feridas. Até mesmo aquelas abertas que não param de sangrar. Por meses procurei você por todos os lugares mesmo sabendo que não iria te encontrar em lugar algum. Ver você no sorriso de outros virou minha mania e obsessão
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Se você não tivesse ido eu faria tudo aquilo que eu deveria ter feito enquanto você estava e nada daquilo que um dia te motivou a não estar mais. Lembra quando eu beijava a sua boca parecendo que eu queria sempre ir mais e mais fundo? Era um jeito idiota e infantil de tentar alcançar seu coração, de tentar fazer a gente ser mais do que o que a gente era. Cada palavra sua eu ouvia, cada cheiro seu eu sentia, e alguma parte de mim acreditava em cada promessa. Alguma parte não, a quem eu quero enganar? Eu por inteira acreditava. Eu acreditei. E o mais triste disso tudo não é que você não cumpriu nada do que eu acreditei, o mais triste é que eu ainda acredito. Eu te queria agora e para sempre, mas você está tão atrasado que eu até me esqueci que te amava e talvez eu nem te reconheceria mais quando você voltasse. Que tola! Eu ainda considero a possibilidade de você voltar. Eu desisti de você e agora eu quero que você desista de seguir sem mim? Posso estar enlouquecendo, mas tenho tentado evitar. Dizem que um sinal de loucura é viver em um mundo paralelo com pessoas e lembranças não compartilhadas., Loucura é agir como se fosse real o que só existiu na sua imaginação. Acho que o amor é o mais perto da loucura que podemos chegar. Talvez seja isso, não exista o amor ,só exista a loucura. Estou há anos falando de você, mas cadê você que ninguém mais vê? Cadê a gente? Onde estamos além de na minha memória? Onde você está quando não está na minha lembrança? É por isso que eu escrevo sobre amor. É por isso que eu escrevo sobre você, para não enloquecer. Falo sobre amor e sobre você para ver se sou apertado pelo seu abraço . Se eu guardar para mim todo esse amor e cada lembrança e cada sonho e cada parte sua você vai morrer comigo, você vai existir só em mim. Então eu compartilho meu amor e você com o mundo, eu falo para mais gente saber o que sobrou da gente ou o que a gente poderia ter sido ou o que ainda somos para a gente existir além de mim. Então eu tenho que contar. Cada parte compartilhar. Cada parte com parte irá viver além de mim, além de você. Eu compartilho para haver mais gente com partes suas no mundo, para haver mais gente com partes nossas. Compartilhando vai haver no mundo mais gente me ajudando a te amar e, principalmente, mais gente me ajudando a te esquecer. Porque eu vou ter que te esquecer, não posso mais viver de migalhas e vomitar esperança, enquanto eu grito seu nome, enquanto ninguém responde.

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Vou te contar um segredo: mais que tua, eu me tornei você. E conto outro: tuas manias se tornaram mais minhas que de qualquer outra pessoa. Se eu escuto algum comentário ou vivo algum momento eu imagino exatamente a reação que você teria, a risada que te arrancaria. Sei o que você falaria e o que pensaria. E até o teu sotaque encontro perdido em algumas das palavras que eu digo. Eu não sei nem mais como evitar. Sou cheia de você. Da cabeça aos pés. Só sei ser de você.

Plenitude. (via t-r-a-n-s-b-o-r-d-a-m-e)

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(…)Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.

Sinto falta da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinto falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

— Tati Bernardi

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(…)Saudade é não saber mesmo.
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silencia que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ela está feliz e ao mesmo tempo perguntar a todos por isso.
É não quere saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você provavelmente está sentindo depois do que acabou de ler.

— Martha Medeiros